terça-feira, 12 de outubro de 2010

Oportunismo cor-de-rosa

É engraçado como se tornou fácil ser famoso hoje. Basta se envolver em algum caso de grande repercussão – positiva ou negativa – para que você seja lançado ao estrelato.

Em outubro de 2009, um caso chamou a atenção. A estudante de Turismo Geisy Arruda foi hostilizada pelos colegas da Uniban, interior de São Paulo, por um motivo bastante curioso: o seu vestido era curto. Bastante curto, conforme algumas opiniões. Não importou o fato de a moça ter as curvas avantajadas, ser loira e atraente (para alguns, isto é), os colegas não pouparam a pobre estudante e a ‘represália’ à menina do vestido rosa-choque tomou proporções surpreendentes. Na época, o caso dividiu opiniões. Enquanto alguns condenavam a atitude dos estudantes, achando-a absolutamente moralista e preconceituosa, outros apoiavam, alegando que a roupa da jovem realmente não era adequada para usar em um local como a sala de aula – estava mais para uma festa ou qualquer lugar que se permitisse vestir roupas tão “ousadas”, diga-se de passagem.

Em novembro de 2009, a Universidade anunciou a expulsão da jovem da instituição, alegando o “desrespeito a princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”, mas revogou a decisão dois dias depois. A estudante, no entanto, decidiu que não retornaria à Uniban. Hoje, um ano após o ocorrido, a faculdade foi condenada a pagar indenização por danos morais de R$ 40 mil à ex-aluna.

O que de fato espantou nesta história toda não foi nem a rebelião moralista dos colegas da jovem (veja o vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=5zKWQW_CADw&feature=related), mas como a ‘vítima’ se transformou em uma estrela literalmente da noite para o dia. Após o episódio que a tornara conhecida nacionalmente, a estudante, que foi humilhada, maltratada e agredida moralmente, foi musa de videoclipe de pagode e de rap, capa de revista, participou de vários programas de televisão e inclusive anunciou que iria leiloar o vestido – sua marca registrada – e a calcinha que usava no dia polêmico. Também fez cirurgias plásticas, ganhou aplique loiro no cabelo e foi uma das atrações no Carnaval de Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro. Claro que não é culpa da Geisy Arruda todos esses holofotes em cima dela. Afinal, ela foi vítima. O que é incoerente é a maneira como essa moça de origem humilde de São Bernardo do Campo usufruiu do episódio como uma forma de alavancar sua vida. Mesmo tendo o direito de retornar à Universidade, ela não voltou a freqüentar às aulas. Mas quem precisa de um bom português e de uma formação de nível superior quando se é uma celebridade, não é mesmo? Geisy quer mais é aproveitar seus duradouros 15 minutos de fama, que agora serão potencializados graças ao convite que a loira recebeu para participar da A Fazenda, programa da Rede Record.

Enquanto a ex-estudante de hotelaria – agora também empresária, depois o lançamento da sua grife, a Rosa Divino – fica confinada na casa mostrando seu belo bumbum na piscina e lutando para ganhar o prêmio de R$ 2 milhões oferecidos ao vencedor, sua defesa no processo movido contra a Uniban continua batalhando pelo pagamento de R$ 1 milhão exigido pela (ambiciosa) cliente.

Apesar de dizer que não gosta de falar sobre o assunto e que a lembrança do episódio ainda lhe traz muitas mágoas, Geisy não parece se importar em relembrá-lo quando a finalidade é injetar mais alguns zeros na sua conta bancária. Ela até promete contar o caso em detalhes em uma biografia polêmica (aguardemos!!). Oportunismo? Capaz. É só uma pobre garota que gostava de usar vestido curto e que sofreu com os colegas conservadores e moralistas.



(texto feito para a disciplina de Webjornalismo 2010/2, Fabico -UFRGS, e 'adaptado' para essa postagem)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Conhecer

eu sou aquela que tu sempre vai amar. não importa o que aconteça, o que é nosso é nosso e não tem como ser diferente. nós nos pertencemos de um jeito que só os sentimentos mais profundos podem tornar possível. é em ti que eu penso quando eu estou feliz ou triste. é contigo que eu quero compartilhar tudo o que acontece e o que acontecer na minha vida. é contigo que eu faço planos que eu nem sei se conseguirei concretizar. é contigo que eu me sinto feliz. eu tenho certeza de que tu também pensa assim. isso tudo não é nada, tá? a gente aprende a lidar com todas as situações quando se envolve assim. não digo que é fácil. pelo contrário. à medida que tu conhece mais a pessoa características dela, antes tão escondidas, começam a vir à tona. às vezes é bom, outras nem tanto. o que importa é o que tu sente por ela. se tu realmente a quer, se tu realmente a ama e tem certeza disso, tu vai lutar contra qualquer coisa pra manter essa coisa linda que existe entre nós. eu vou estar sempre contigo, tu sabe. independente dos dias, dos meses, dos anos, não importa: eu sou pra sempre tua e tu é pra sempre meu. e isso ninguém muda.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Rumo ao vazio

a aula de hoje me despertou uma vontade de escrever sobre algo diferente: o vazio. não digo nada sobre vazio existencial, ligado aos sentimentos, mas sobre aquele vazio que assusta, que dá medo, que nos faz repensar o caminho que estamos dando à nossa vida. é sobre a incapacidade de criticar criticamente. sobre a dificuldade em compreender que o mundo vai além da internet e que, por favor, a expansão do acesso à televisão e à web não significa MESMO a democratização da informação. é sobre a necessidade que temos de parar (urgentemente) e refletir sobre o que estamos fazendo com nossos cérebros.
vou falar dos estudantes de jornalismo por dois motivos bastante relevantes: sou um deles, convivo com eles diariamente há quase três anos, e acredito que, devido à função que vamos exercer, caberia a nós possuir uma bagagem maior de conhecimento antes de sair por aí falando asneiras infundadas. acompanho a cada início de semestre o trote de boas-vindas que os veteranos dão aos seus bixos. conforme estes vão avançando no curso, temos a oportunidade de nos conhecermos. observo em cada um deles características muito interessantes. em sua grande maioria, são pessoas com um nível social mais elevado do que boa parte da sociedade. são relativamente críticas, mas sempre têm aqueles que sobressaem aos outros, é claro. são admirados pelas pessoas porque passaram no vestibular de uma das melhores e maiores universidades do país. o problema é que algumas coisas já estão cristalizadas na nossa sociedade. não é tudo culpa nossa, eu sei, e não é isso que eu quero dizer. mas me assusta quando percebo que essas pessoas que teriam tudo para serem mais esclarecidas estão presas nas masmorras da ignorância. não digo ignorante de maneira agressiva, mas sim no sentido de desconhecer assuntos importantes. me assusta que estudantes de comunicação sejam tão alienados do mundo real. desconhecer certos assuntos que não nos competem não é grave, mas desconhecer aqueles que dizem respeito à nossa própria profissão é inaceitável. como queremos ser jornalistas se sequer sabemos os nomes dos jornalistas de maior destaque do nosso próprio estado?
nessa ebulição de internet, advento da web, informações transbordando por todos os lados, novas mídias etc., etc, vivemos um caos informacional velado. "lemos" muito, aprendemos pouco (basta pensar em quantos sites você já acessou hoje e do que realmente lembra ter lido até o fim). aliás, transferimos nossa memória para fora do corpo. parece que esquecemos que precisamos ter memória. as novidades são a cada dia mais intensas, mas não sabemos aproveitar isso tudo de maneira inteligente. isso se deve, é claro, porque o 'sistema nos faz assim'. passamos o dia dando mil 'clicadas' na internet, mas o que realmente absorvemos de tudo isso? quantos livros interessantíssimos deixamos de ler porque perdemos horas e mais horas em frente a um computador fazendo nada de útil? o exercício da aula de hoje foi algo bastante bobo, mas que revelou o grau de mediocridade em que estamos todos inseridos. perdemos a referência, aquele caminho que nos leva à verdade das coisas. não há mais um norte que nos guie. estamos flutuando em mundo que avança a passos largos sobre nós. somos, a cada dia, engolidos um pouco pela cultura da mediocridade que nos envolve e conduz. lemos o jornal e não nos questionamos. perdemos a capacidade do senso crítico. somos a sociedade da preguiça mental generalizada.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

aprender

eu sinto raiva. e nos 10 minutos seguintes, me arrependo deveras por não ter engolido a seco. é preciso ter auto-controle. ou não.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

É mais

"você sabe que você me quer e não pode evitar. não é só por mero instinto que a gente treme quando está junto e já quer ficar mais perto no momento em que nossos corpos se tocam. não é à toa que você me procura e eu sempre cedo ao que você me pede. talvez haja entre nós uma espécie de paixão química, que vai além daquilo que nossos sentimentos podem explicar. você precisa de mim e eu de você, e nós sabemos disso. meu corpo te procura, enquanto tuas mãos deslizam por ele em busca de mais. meus lábios beijam teu pescoço e tua respiração mais perto me faz querer ser cada vez mais tua. tua boca beija meus seios com a vontade que só a gente conhece. minhas mãos percorrem teu corpo inteiro procurando sanar meu desejo de ti. enquanto nossos corpos se embalam naquilo que você chama de 'trepada', nossos corações pulsam mais forte por alguma razão que vai além dessas trivialidades que você insiste em dizer ser aquilo que nos une. "

domingo, 29 de agosto de 2010

Sentir

ele era mais que belo, era vivo. de um vivo contagiante que me levava aos lugares mais incríveis só pelo fato de eu estar ali, do seu lado. não precisei dizer nada. nem um gesto, nem uma palavra. só senti a sua mão tocar minha cintura e o sua respiração tão perto que me provocava arrepios pelo corpo. era a primeira vez que aquela sensação estranha percorria cada parte de mim. ele só me abraçou e pediu que eu ficasse calma. não hesitei.

sábado, 14 de agosto de 2010

Nostalgia

Faz tempo que não escrevo. A correria do meu dia a dia me tira o tempo de fazer uma das coisas que eu mais gosto. Escrever. Escrever não só sobre poesia, romantismo, paixão, amor. Mas escrever sobre o que é, de fato, importante e necessário ser discutido. E isso toma tempo, porque é necessário pensar, refletir, dosar as palavras de maneira a se fazer entender. Ter argumento. Sustentar ideias, ideais, ideias ideais. E tudo isso não se faz em 5 minutos, que é o tempo que eu gasto pra escrever a maioria dos textos que compõem este blog - abandonado, aliás.
Mais uma vez, pensei sobre ser jornalista. Um episódio que ocorreu na semana passada, durante uma aula (?) da faculdade fez eu repensar sobre o rumo que estamos dando à nossa profissão. A indignação de um lado. O descaso, do outro. É frustrante para ambos os lados. Nenhum deles espera do outro nada além do que a convivência superficial e o faz-de-conta de que está tudo bem, de que as coisas estão nos eixos, de que cada uma das partes envolvidas cumpre seu papel. Não está nada bem. Ainda mais em se tratando de uma universidade pública. Passamos por tantas dificuldades, tantos obstáculos e pedras no caminho. Já enfrentamos greves, descaso das autoridades para com o nosso ensino. Não temos os melhores recursos para praticar aquilo que aprendemos na teoria. E, quando temos, são sucateados. A única coisa que temos é uma cabeça pensante e vontade de ir além daquilo que esperam de nós. E nem isso estamos fazendo. Vestibulares não são mais parâmetro para nada. Não medem a capacidade de ninguém. Está se tornando frustrante sair de casa e ir para a faculdade. O tesão e a sensação de descoberta não mais existem. Não reconheço mais as pessoas. Não temos mais o ritual de ficar conversando no pátio, entre uma aula e outra. Quase não vemos mais nossos colegas e amigos. A vontade de "cair fora" logo para se dedicar somente ao trabalho é cada vez maior. E a dedicação aos melhores e, quem sabe, mais produtivos anos da nossa vida, ficam esquecidos num passado que, no futuro, trará grande nostalgia.